Join Nostr
2026-10-17 11:45:11 UTC

Lula Ladrão "Câncer do Brasil" on Nostr: 🇧🇷 A EXUMAÇÃO O milagre obsceno de Lula: tornar Flávio Bolsonaro ...

🇧🇷 A EXUMAÇÃO

O milagre obsceno de Lula: tornar Flávio Bolsonaro suportável.

A sabatina da Globo tornou-se uma sessão de tortura. Não para os candidatos, que parecem sentir um prazer quase erótico em ouvir a própria voz, mas para o brasileiro condenado a assistir ao espetáculo. De um lado, a campanha mais sórdida da história do PT. Do outro, a campanha mais morna da história do bolsonarismo. No meio, um jornalista tentando exercer a função de adulto responsável numa sala ocupada por dois narcisismos em busca de consagração. Já não assistimos para descobrir quem se sai melhor. Assistimos para saber quem consegue se sair pior. É a democracia convertida num campeonato de constrangimentos.

Na primeira sabatina, vimos a carcaça de Lula. Agora, acompanhamos a exumação do cadáver político, submetido à luz inclemente dos estúdios para que ninguém possa alegar que não reconheceu o defunto. Há algo de perversamente fascinante nesse espetáculo: um homem que passou a vida construindo a própria mitologia, confundindo sua biografia com a história do Brasil, falando como se a realidade tivesse a obrigação moral de obedecer às suas lembranças. Lula já não precisa convencer o público de que diz a verdade. Precisa apenas continuar falando até que a verdade desista de interrompê-lo.

É uma espécie de mitomania política monumental, uma ópera de vaidades, ressentimentos e revisionismo autobiográfico. O personagem devorou o homem. Cada pergunta inconveniente exige uma nova versão do passado. Cada contradição é recebida como uma afronta pessoal. O Brasil inteiro precisa adaptar sua memória à memória de Lula. É um fenômeno quase religioso: quando a realidade contradiz o líder, a realidade está errada.

E então surge Flávio Bolsonaro.

Ah, Flávio! A criança escolhida para perder.

Havia algo de profundamente irônico na ideia de transformar o primogênito em herdeiro político. Era como escalar o filho menos interessante para protagonizar a continuação de um filme que já havia esgotado até os figurantes. Flávio carregava o sobrenome, os esqueletos familiares, a malandragem defensiva, aquele ar de menino que foi surpreendido fazendo alguma coisa errada e, antes mesmo de ouvir a acusação, já está explicando que não estava lá.

Mas eis que acontece o imprevisto.

Diante das câmeras aparece um Bolsonaro com a aparência de Jair, mas sem aquela coreografia de cotovelos, provocações e explosões verbais. A semelhança física torna a diferença de comportamento ainda mais desconcertante. Flávio é sonso. Continua sonso. Há nele uma esperteza quase cartorial, de quem conhece os corredores, os atalhos e as saídas de emergência da política brasileira. O espanto é descobrir que essa mesma figura, quando abandona a defesa dos próprios embaraços e começa a tratar de problemas concretos, consegue apresentar uma objetividade inesperada.

Eis o paradoxo da sucessão bolsonarista: o filho feito para ser a cópia burocrática do pai começa a se distinguir justamente quando para de imitá-lo. Flávio descobriu que, numa família de gritos, responder à pergunta é quase um escândalo.

A Globo organiza, sem perceber, uma cerimônia de exumação e nascimento. Lula entra em cena para provar que ainda representa o futuro; Flávio, para provar que não é prisioneiro do passado do pai. Seguem entrevistas, sabatinas, talvez um debate no domingo. Um necrotério eleitoral com serviço de obstetrícia. Enquanto tiram Lula do caixão para mais uma perícia, tentam dar à luz um Bolsonaro distinto na sala ao lado.

E o parteiro, para horror dos presentes, é Lula. Flávio não precisa ser amado. Basta parecer tolerável. Eis como nasce o adultério político: descobrir, com vergonha, que o outro sabe conversar. Que ironia: o homem que fez do combate ao bolsonarismo sua razão de sobrevivência pode acabar emprestando ao sobrenome adversário uma aparência de moderação.

A criança escolhida para perder descobriu que podia crescer sem jamais se tornar o pai.

🇺🇲 THE EXHUMATION

Lula’s obscene miracle: making Flávio Bolsonaro bearable.

Globo’s debate turned into a torture session—not for the candidates, who seem to take almost erotic pleasure in hearing their own voices, but for Brazilians condemned to watch the spectacle. On one side, the most sordid campaign in the history of the PT. On the other, the most lackluster campaign in the history of Bolsonarism. In the middle, a journalist trying to act as the responsible adult in a room occupied by two narcissists seeking validation. We no longer watch to find out who performs best. We watch to see who manages to perform the worst. It is democracy turned into a contest of embarrassment.

In the first debate, we saw Lula’s shell. Now, we’re witnessing the exhumation of the political corpse, subjected to the harsh studio lights so that no one can claim they didn’t recognize the deceased. There’s something perversely fascinating about this spectacle: a man who spent his life constructing his own mythology, confusing his biography with the history of Brazil, speaking as if reality had a moral obligation to obey his memories. Lula no longer needs to convince the public that he’s telling the truth. He just needs to keep talking until the truth gives up on interrupting him.

It’s a kind of monumental political mythomania, an opera of vanities, resentments, and autobiographical revisionism. The character has devoured the man. Every inconvenient question demands a new version of the past. Every contradiction is taken as a personal affront. All of Brazil must adapt its memory to Lula’s memory. It is an almost religious phenomenon: when reality contradicts the leader, reality is wrong.

And then Flávio Bolsonaro emerges.

Ah, Flávio! The child chosen to lose.

There was something deeply ironic about the idea of turning the firstborn into a political heir. It was like casting the least interesting son to star in the sequel to a movie that had already exhausted even its extras. Flávio carried the last name, the family skeletons, the defensive roguishness, that air of a boy who was caught doing something wrong and, even before hearing the accusation, is already explaining that he wasn’t there.

But then the unexpected happens.

Before the cameras appears a Bolsonaro who looks like Jair, but without that choreography of elbow jabs, taunts, and verbal outbursts. The physical resemblance makes the difference in behavior all the more disconcerting. Flávio is sly. He remains sly. There is in him an almost bureaucratic shrewdness, that of someone who knows the corridors, the shortcuts, and the emergency exits of Brazilian politics. The surprise comes from discovering that this same figure, when he stops defending his own blunders and begins to address concrete problems, manages to display an unexpected objectivity.

Herein lies the paradox of the Bolsonaro succession: the son, destined to be a bureaucratic copy of his father, begins to distinguish himself precisely when he stops imitating him. Flávio has discovered that, in a family of shouting, answering a question is almost a scandal.

Globo is unwittingly organizing a ceremony of exhumation and birth. Lula enters the scene to prove that he still represents the future; Flávio, to prove that he is not a prisoner of his father’s past. Interviews, question-and-answer sessions, and perhaps a debate on Sunday follow. An electoral morgue with an obstetrics department. While they pull Lula out of the coffin for yet another forensic examination, they try to give birth to a different Bolsonaro in the next room.

And the midwife—to the horror of those present—is Lula. Flávio doesn’t need to be loved. It’s enough to seem tolerable. This is how political adultery is born: discovering, with shame, that the other side knows how to converse. What irony: the man who made the fight against Bolsonarism his reason for survival may end up lending the opponent’s surname an air of moderation.

The child chosen to lose discovered that he could grow up without ever becoming his father.