quoting nevent1q…rm9yO Lado Oculto das Figuras da Esquerda
Grandes controvérsias que todos ignoram
Karl Marx
1. A governanta Helene Demuth e o filho secreto
Karl Marx e sua esposa, Jenny von Westphalen, tinham uma governanta e companheira de longa data chamada Helene Demuth (apelidada de "Lenchen").
• A gravidez e o salário: É correto que ela trabalhava para a família e, devido à extrema e crônica pobreza em que os Marx viviam, Helene raramente recebia um salário regular ou formal, atuando quase como um membro da família em regime de total dedicação. Em 1850, enquanto a esposa de Marx viajava para tentar conseguir dinheiro com parentes, Marx e Helene se envolveram, e ela engravidou. O menino, nascido em 1851, recebeu o nome de Frederick Demuth (Freddy).
• O papel de Engels na cobertura: Para salvar o casamento de Marx e evitar o colapso absoluto de sua imagem pública e política, seu grande amigo e parceiro intelectual, Friedrich Engels, assumiu publicamente a paternidade do bebê. O garoto foi entregue para ser criado por uma família de operários em Londres. A verdade só foi revelada décadas mais tarde, em 1895, quando Engels, em seu leito de morte (já incapaz de falar devido a um câncer na garganta), escreveu em uma lousa para a filha de Marx, Eleanor, que o verdadeiro pai de Freddy era Karl Marx.
2. Os gastos ruins e as dívidas crônicas
Também é verdade que Karl Marx viveu atolado em dívidas, e parte significativa disso se deveu à sua má gestão financeira e hábitos de consumo.
• Dificuldade em gerenciar dinheiro: Embora uma parte de suas crises financeiras viesse do fato de ele não ter um emprego tradicional fixo (dedicando-se inteiramente à escrita de suas obras econômicas e políticas), Marx tinha sérios problemas em controlar seus gastos.
• Padrão de vida acima das posses: Historiadores apontam que, mesmo nos períodos em que recebia heranças de familiares ou altas somas de dinheiro enviadas por Engels (que era herdeiro de indústrias têxteis), Marx frequentemente gastava de forma impulsiva. Ele fazia questão de manter as aparências de uma família de classe média alta burguesa — gastando com aulas particulares de piano para as filhas, bailes, férias caras à beira-mar e moradias em bairros nobres —, o que fazia com que o dinheiro sumisse rapidamente, acumulando penhores e cobradores na sua porta.
Engels
Friedrich Engels (cujo nome às vezes é aportuguesado ou confundido como "Enders") atuou literalmente como um ghostwriter (escritor fantasma) para Karl Marx em centenas de artigos de jornal.
Os fatos históricos sobre essa colaboração revelam como a dinâmica funcionava:
1. O trabalho no jornal americano
Em 1851, o jornal americano New-York Daily Tribune convidou Karl Marx para ser correspondente internacional na Europa. Esse trabalho era a única fonte de renda regular e estável que Marx tinha para tentar sustentar sua família.
2. O problema de Marx com o inglês
Naquela época, Marx estava focado em seus estudos econômicos e ainda não dominava bem a escrita em inglês. Como ele não podia perder o emprego e o dinheiro, ele pediu socorro ao seu amigo Engels.
3. Engels escrevia, mas o nome impresso era de Marx
Engels, que era fluente em inglês e vivia em Manchester cuidando das indústrias de sua família, escrevia os textos inteiros. Ele enviava os artigos para Marx em Londres, e Marx fazia apenas revisões finais antes de despachá-los para os Estados Unidos.
Os artigos eram publicados exclusivamente sob o nome de Karl Marx, garantindo que Marx recebesse o pagamento e mantivesse seu prestígio como jornalista. Essa dinâmica estendeu-se por anos, estimando-se que dezenas de textos creditados apenas a Marx foram, na realidade, escritos inteiramente por Engels.
Che Guevara
1. O primeiro campo de trabalho forçado em Cuba
Ernesto "Che" Guevara foi o criador do primeiro acampamento de trabalho forçado na Cuba revolucionária.
• O Campo de Guanahacabibes: Fundado por Che em 1960 na península de Guanahacabibes (no extremo oeste de Cuba), o local funcionava sob o pretexto de "reeducação" e punição administrativa para funcionários públicos e membros do novo regime que cometessem erros, negligências ou "faltas morais". O próprio Che Guevara declarou publicamente que enviavam para lá aqueles que não deveriam ir para a prisão comum, mas que haviam "violado a ética revolucionária".
• O modelo para as UMAPs: Embora Che não tenha criado nem comandado as infames Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAPs) — que foram estabelecidas em 1965 para prender, torturar e submeter homossexuais, religiosos e dissidentes a trabalho forçado (já que Che deixou Cuba no início de 1965) —, historiadores apontam que o modelo punitivo que ele inaugurou em Guanahacabibes serviu como laboratório institucional direto para a criação das UMAPs posteriores.
2. A defesa do "Homem Novo" (Viril e sem "taras")
A expressão exata na teoria de Che Guevara é o "Homem Novo" (El Hombre Nuevo), descrita principalmente em seu ensaio de 1965, O Socialismo e o Homem em Cuba.
• Masculinidade e Virilidade: Dentro do pensamento marxista-leninista adaptado por Che, o "Homem Novo" deveria ser um indivíduo inteiramente desprovido de egoísmo, focado no sacrifício coletivo, altamente disciplinado, trabalhador e completamente viril. O regime cubano via a masculinidade tradicional e agressiva (guerreira) como a norma estética e moral da revolução.
• Ojeriza ao que consideravam "Desvios": Sob essa ótica, qualquer comportamento que fugisse desse padrão de "virilidade revolucionária" era tachado de "defeito burguês" ou "tara do passado". Foi essa ideologia moralista estrita que justificou a violenta perseguição estatal à comunidade LGBT+, a intelectuais considerados "afeminados" e a jovens que gostavam de rock ou moda ocidental, vistos como inaptos para o esforço de guerra e trabalho.
A palavra "máscara", especificamente, não faz parte do jargão teórico dele (trata-se provavelmente de uma variação ou confusão com o termo "homem másculo", que possui o mesmo sentido de viril e robusto). Che defendia uma masculinidade militarizada e ascética, em que o indivíduo deveria moldar sua psicologia e seu corpo para servir rigidamente ao Estado comunista.
Simone de Beauvoir
Simone de Beauvoir envolveu-se afetiva e sexualmente com algumas de suas alunas enquanto atuava como professora nos liceus franceses.
Os principais registros e controvérsias sobre esses envolvimentos incluem:
• Bianca Lamblin (Bianca Bienenfeld): Ex-aluna que posteriormente relatou em suas memórias (Mémoires d'une jeune fille dérangée) ter sido seduzida e mantido uma relação com Beauvoir quando era jovem e sua aluna, apontando aspectos de abuso de poder na dinâmica.
• Nathalie Sorokine: Em 1941 e 1943, a mãe da aluna Nathalie Sorokine (então com 17 anos) fez denúncias formais às autoridades francesas acusando Beauvoir de incitamento à desordem e tentativa de sedução de menor.
• Suspensão da docência: Em 1943, em decorrência dessas denúncias e acusações envolvendo o cerco a menores e alunas (como o caso ligado também a Olga Kosakievicz), Simone de Beauvoir teve sua licença para lecionar cassada/suspensa pelas autoridades educacionais francesas da época por "corrupção de menores".
Ainda mais sobre Simone:
Sim, ambas as afirmações são historicamente verdadeiras e documentadas.
A filósofa francesa Simone de Beauvoir esteve diretamente envolvida tanto na assinatura de manifestos polêmicos sobre a idade de consentimento na França quanto em um relacionamento aberto com o filósofo Jean-Paul Sartre, no qual jovens estudantes eram atraídas para círculos amorosos e sexuais do casal.
Abaixo estão os detalhes históricos sobre esses dois pontos:
1. O Manifesto e as petições sobre menores de idade
Em janeiro de 1977, Simone de Beauvoir, junto a Jean-Paul Sartre, Michel Foucault, Jacques Derrida e outros intelectuais franceses, assinou uma petição direcionada ao Parlamento francês.
• O objetivo: O documento pedia a modificação do Código Penal para despenalizar relações sexuais consentidas entre adultos e menores de 15 anos (que era, e ainda é, a idade de consentimento legal na França).
• A justificativa da época: Sob a ótica do existencialismo e do movimento de liberação sexual dos anos 1970, esses intelectuais argumentavam que os menores tinham capacidade de discernimento para escolher seus parceiros e que as leis vigentes criminalizavam a sexualidade de forma excessiva.
• Publicações na imprensa: Textos e cartas abertas de teor semelhante, também assinados por ela, foram publicados em jornais de grande circulação na França, como o Le Monde e o Libération.
2. O relacionamento com Sartre e o envolvimento de jovens
Simone de Beauvoir manteve uma união livre de mais de 50 anos com Jean-Paul Sartre. Eles rejeitavam o casamento convencional, nunca moraram juntos e não tiveram filhos, permitindo-se mutuamente ter outros parceiros — o que eles chamavam de "amores contingentes".
No entanto, a dinâmica desse relacionamento incluiu episódios que geraram graves punições e denúncias posteriores de manipulação:
• Perda da licença para dar aulas: Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, Beauvoir foi demitida do cargo de professora e teve sua licença para lecionar revogada pelo Ministério da Educação francês após a mãe de uma de suas alunas, Natalie Sorokine (menor de idade na época), acusá-la formalmente de corrupção de menores.
• Os "triângulos" amorosos: Cartas e diários publicados décadas mais tarde confirmaram que Beauvoir frequentemente iniciava relacionamentos amorosos e sexuais com suas alunas jovens (como Olga Kosakiewicz e Bianca Lamblin) e, posteriormente, as introduzia a Sartre. Em sua autobiografia publicada anos depois, Bianca Lamblin detalhou o abuso psicológico e a manipulação emocional que sofreu por parte do casal quando tinha cerca de 17 anos.
Ela mesma conta sobre isso, mas de duas formas bem diferentes: enquanto esteve viva, ela publicou histórias de maneira suavizada ou disfarçada em seus livros de memórias e romances; a verdade nua e crua só veio à tona integralmente após a morte dela, com a publicação de suas cartas íntimas e diários não editados.
O envolvimento com as jovens estudantes aparece nas obras dela da seguinte forma:
1. Disfarçado em forma de Romance
Em 1943, ela publicou seu primeiro romance famoso, chamado A Convidada (L'Invitée).
• O enredo: O livro narra a história de um casal de intelectuais (Françoise e Pierre) que decide convidar uma jovem estudante (Xavière) para morar com eles, formando um triângulo amoroso cheio de ciúme, manipulação emocional e jogos psicológicos.
• A realidade: O livro foi diretamente baseado no triângulo real que Beauvoir e Sartre viveram com a jovem Olga Kosakiewicz (que tinha 17 anos quando conheceu Beauvoir). No livro, Beauvoir mudou os nomes e romantizou a dinâmica, omitindo o peso do abuso de poder que existia ali.
2. Suavizado nos Livros de Memórias
Nas décadas de 1950 e 1960, ela publicou uma autobiografia dividida em vários volumes (como A Força da Idade).
• Nesses livros, ela admite abertamente ter tido essas jovens como alunas e que elas passaram a fazer parte do círculo íntimo dela e de Sartre.
• No entanto, na época da publicação, ela suavizou imensamente os relatos. Ela descrevia a relação com meninas como Bianca Lamblin e Nathalie Sorokine quase como uma "tutoria intelectual" ou uma amizade profunda e excêntrica, escondendo o teor sexual e os detalhes de como ela manipulava psicologicamente as garotas para depois "entregá-las" a Sartre.
Como o público descobriu a verdade?
A reação de repulsa do público (semelhante à sua) veio com força total a partir da década de 1990 devido a dois fatores:
1. A publicação de cartas póstumas: Após a morte de Beauvoir (1986) e de Sartre (1980), as correspondências diárias e diários íntimos do casal foram publicados sem censura. Nesses textos, eles se referiam às estudantes com termos frios, debochavam de seus sentimentos e traçavam estratégias explícitas de sedução.
2. O livro das vítimas: Revoltada ao ler essas cartas e ver como foi tratada, uma das ex-alunas, Bianca Lamblin, quebrou o silêncio em 1993 e publicou o livro Mémoires d'une jeune fille dérangée ("Memórias de uma moça perturbada"). No livro, Bianca narra como Beauvoir usou seu prestígio como professora para seduzi-la aos 17 anos e como o casal destruiu sua saúde mental na época.
Livro de Bianca Lamblin
No livro intitulado Memórias de uma Moça Malcomportada (no original em francês, Mémoires d'une jeune fille dérangée), escrito por Bianca Lamblin, o termo "perturbada" (ou dérangée) faz parte do título original em francês, mas no Brasil a obra foi traduzida pela Editora Record utilizando a palavra "malcomportada", em um contraponto irônico ao famoso livro de Simone de Beauvoir, Memórias de uma Moça Bem-Comportada.
O Contexto da Obra
Lançado na década de 1990, o livro é um relato autobiográfico doloroso. Nele, Bianca Lamblin expõe os bastidores de seu envolvimento amoroso e sexual na juventude com o casal de filósofos existenciais Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.
• O Triângulo Amoroso: Aos 17 anos, Bianca (então Bianca Bienenfeld) foi aluna de filosofia de Simone de Beauvoir. Ela acabou sendo seduzida pela professora e, posteriormente, introduzida a Jean-Paul Sartre, formando um triângulo amoroso e sexual manipulador que durou cerca de dois anos.
• O Abandono: A autora relata que foi descartada pelo casal às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Sendo uma jovem judia de origem polonesa, ela foi deixada à própria sorte durante a ocupação nazista na França, enquanto o casal de intelectuais mantinha uma postura politicamente ambígua.
• A Segunda Traição: Décadas mais tarde, em 1990, cartas e diários póstumos de Sartre e Beauvoir foram publicados. Ao lê-los, Bianca descobriu que os dois se referiam a ela com desprezo, deboche e contornos de antissemitismo, o que a motivou a escrever o livro para expor a sua versão da história.