A jornalista Malu Gaspar afirmou que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), fez duas previsões sobre o cenário polÃtico em uma reunião na semana passada com aliados da qual participaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Diz ela em coluna no O Globo:
A primeira previsão de Alcolumbre é sobre as chances de uma virada de Lula, que aparece tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas últimas pesquisas de intenção de voto. A da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), mostra Flávio com 45% e Lula com 44% – uma diferença de apenas 1 ponto percentual.
A leitura do presidente do Senado é a de que o presidente da República ainda pode virar o jogo se conseguir mobilizar a militância lulista e trabalhar para reduzir a abstenção no próximo domingo (25). Entre o primeiro e o segundo turno, o próprio Alcolumbre ajudou o Palácio do Planalto e destravou a tramitação de uma das principais bandeiras eleitorais da campanha do PT, garantindo a aprovação do fim da escala 6x1.
A segunda previsão de Alcolumbre diz respeito a Pacheco. Aos presentes, o chefe do Senado garantiu que tem condições de aprovar sem dificuldades uma eventual indicação dele para o Supremo, e isso independentemente de quem for eleito presidente, se Lula ou Flávio Bolsonaro.
Para Alcolumbre, Pacheco é o único nome que hoje teria amplo apoio na Casa para assumir a vaga aberta em outubro do ano passado com a antecipação da aposentadoria de LuÃs Roberto Barroso. Pacheco presidiu o Senado entre 2021 e 2025 e teve a sua indicação ao TCU aprovada em setembro deste ano com 63 a favor e apenas quatro contrários.
Uma eventual indicação de Pacheco ainda abriria uma vaga para o Senado no TCU, o que poderia dar a Lula a chance de indicar alguns de seus aliados que foram derrotados nas urnas, como a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
O plano de Alcolumbre era ver Pacheco indicado para o Supremo no ano passado, mas Lula insistiu na escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, considerado homem de confiança do presidente da República.
Contrariado, Alcolumbre trabalhou para impor uma derrota ao presidente e costurou uma aliança que reuniu nos bastidores Alexandre de Moraes e a tropa de choque bolsonarista na Casa, cada lado com a sua própria agenda.
No caso do ministro do Supremo, o objetivo era impedir o fortalecimento no tribunal do grupo próximo ao relator do caso Master, ministro André Mendonça, que foi um dos principais cabos eleitorais da fracassada campanha de Messias e apresentou no mês passado ao plenário um relatório com as mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Já para os bolsonaristas a meta era impor a derrota a Lula uma derrota histórica, já que a última indicação rejeitada havia sido em 1894, no governo Floriano Peixoto. Além disso, deixariam a vaga aberta para tentar nomear um ministro a mais em caso de vitória de Flávio.
Com a eleição caminhando para o final, Alcolumbre parece disposto a retomar os antigos planos – mas, desta vez, espera contar com Lula ao invés de Flávio Bolsonaro no processo.
Matéria do Jornal da Cidade Online
🇺🇲 Conversation Between Moraes and Alcolumbre Leaked During a Lunch in BrasÃlia
Journalist Malu Gaspar reported that Federal Senate President Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) made two predictions about the political landscape during a meeting last week with allies, which was attended by Chamber of Deputies President Hugo Motta (Republicanos-PB) and Supreme Federal Court (STF) Justice Alexandre de Moraes.
She writes in a column in O Globo:
Alcolumbre’s first prediction concerns Lula’s chances of a comeback, as he is technically tied with Senator Flávio Bolsonaro (PL-RJ) in the latest voting intention polls. The Quaest poll, released this Wednesday (21), shows Flávio at 45% and Lula at 44%—a difference of just 1 percentage point.
The Senate president’s assessment is that the president of the Republic can still turn the tide if he manages to mobilize Lula’s supporters and work to reduce voter abstention next Sunday (25). Between the first and second rounds, Alcolumbre himself assisted the Planalto Palace and cleared the way for one of the PT campaign’s key electoral platforms, ensuring the approval of the end of the 6x1 rotation system.
Alcolumbre’s second prediction concerns Pacheco. To those present, the Senate leader assured them that he is in a position to easily approve a potential nomination of Pacheco to the Supreme Court, regardless of who is elected president—whether Lula or Flávio Bolsonaro.
For Alcolumbre, Pacheco is the only candidate who would currently enjoy broad support in the Senate to fill the vacancy that opened last October following LuÃs Roberto Barroso’s early retirement. Pacheco served as Senate president from 2021 to 2025, and his nomination to the TCU was approved in September of this year with 63 votes in favor and only four against.
A potential nomination of Pacheco would still open up a Senate seat on the TCU, which could give Lula the chance to nominate some of his allies who were defeated at the polls, such as former Planning Minister Simone Tebet (PSB) and Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Alcolumbre’s plan was to have Pacheco nominated to the Supreme Court last year, but Lula insisted on choosing the Attorney General, Jorge Messias, who is considered a trusted confidant of the president.
Frustrated, Alcolumbre worked to thwart the president and forged an alliance behind the scenes that brought together Alexandre de Moraes and Bolsonaro’s hard-line faction in the Senate, each side with its own agenda.
In the case of the Supreme Court justice, the goal was to prevent the strengthening within the court of the group close to the reporting justice in the Master case, Justice André Mendonça, who was one of the key campaigners for Messias’s failed campaign and who presented a report to the full court last month detailing the messages exchanged between Moraes and Daniel Vorcaro.
For Bolsonaro’s supporters, however, the goal was to inflict a historic defeat on Lula—since the last rejected nomination had been in 1894, during the Floriano Peixoto administration. Furthermore, they would leave the seat open to try to appoint an additional justice in the event of a Flávio Bolsonaro victory.
With the election drawing to a close, Alcolumbre seems willing to resume his previous plans—but this time, he hopes to count on Lula rather than Flávio Bolsonaro in the process.
Article from Jornal da Cidade Online
