L on Nostr: Quase sempre que converso com aquele cara, ele mesmo, um dos meus melhores amigos, ...
Quase sempre que converso com aquele cara, ele mesmo, um dos meus melhores amigos, sinto minha inteligência ficar tímida. Em outras palavras, me sinto burro pra cacete.
Porque, claro, eu sou a única pessoa que eu mesmo conheço que mais entende sobre Samuel Edward Konkin III. Talvez por ter muito tempo livre e quase ou nenhuma responsabilidade, acabo me dedicando bastante às suas teorias.
Mas, mesmo assim, agorismo é muito simples. Se pegarmos a própria origem do agorismo, ele não nasce como uma filosofia libertária dogmática. Ele apenas é a sistematização de toda a teoria austro-libertária que vinha sendo construída até aquele momento em uma estratégia consistente. Uma das muitas que poderiam vir a ser, inclusive. O próprio Konkin assume isso na introdução do Manifesto do Novo Libertário.
E não precisa ser muito inteligente, capaz ou ser um sujeito deveras subversivo. Apenas precisa praticar contraeconomia e passar ela adiante.
Isso não é ruim, de forma alguma. Pelo contrário, é excelente! Tem uma barreira de entrada com atrito quase zero. Alguém pode praticar contraeconomia sem saber que está praticando, inclusive sem ter uma convicção política bem formada, sem ser uma pessoa muito crítica ao Estado etc.
E esse meu amigo é comunista. Ele é marxista.
E, assim, meus caros, ele está no top pessoas mais incríveis que já conheci na vida e, com certeza, é uma das pessoas mais inteligentes que já passaram por mim, que já cruzaram a existência comigo.
E vocês podem discordar. A maioria aqui nessa rede, nesse protocolo, é libertária. E eu também discordo. Vocês podem discordar à vontade do comunismo, mas não podem negar que é complexo.
Podemos discordar de muita coisa do Marx, se não de tudo, mas não podemos negar que o cara era inteligente. E que, embora tivesse uma escrita e uma retórica muito desgraçadas — perdoem-me a palavra —, não tirava suas teorias da bunda.
E eu olho pra minha realidade e Konkin parece tão simples. É só ser consistente, praticar e passar a prática adiante.
Falando dessa maneira, parece que estou a dizer que o agorismo é uma filosofia burra. Mas, na verdade, se passei essa impressão até aqui, quero me desculpar com vocês. Não foi essa a intenção.
O que realmente estou tentando expressar é que tem uma disparidade muito grande entre ler os três tomos de O Capital e simplesmente entender uma filosofia e praticá-la. Entender o agorismo e praticar contraeconomia.
Sei lá, só tô tentando manifestar meu sentimento de autoburrice quando converso com esse meu amigo.
Mas também tenho que ser justo, ser generoso para comigo mesmo. Tem uma diferença entre uma teoria que foi fundada lá em 1800 e guaraná com rolha e uma formulada e sistematizada no final do século passado.
Acho que pouca gente, quase ninguém, descobriu as teorias konkinianas ainda e, por sua vez, quase ninguém as desenvolveu. Inclusive, carecemos de uma adaptação e reformulação delas ao nosso século. Muita coisa mudou. Muita coisa mesmo.
Sinto que Konkin apenas plantou a semente. Plantou a semente do que viria a ser um dos caminhos para a liberdade.
E acredito que qualquer caminho, qualquer estratégia pós-teorias konkinianas, beba ou passe por ele.
Minha opinião.
Enfim, já escrevi muito, já divaguei muito também.
Fiquem em paz.
Published at
2026-10-15 22:20:39 UTCEvent JSON
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