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2026-10-27 19:55:21 UTC

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Brasil tem 64 milhões sem educação básica completa; EJA atende 1,5%



O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que pararam de estudar antes de concluir a educação básica. O contingente equivale a 37,3% da população nessa faixa etária. A informação consta em um levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva.

O jornal Folha de S.Paulo divulgou os dados. O relatório reuniu informações do IBGE, do Censo Escolar e do https://revistaoeste.com/brasil/o-que-e-ibge/ mais recentes. A https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/programas_suplementares/eja é a principal modalidade para quem não terminou os estudos no tempo certo. O programa atende apenas 1,5% desse público.

+ Entenda notícias do https://revistaoeste.com/brasil/como-esta-o-brasil-hoje/ em Oeste

Desse total, 44,7 milhões não concluíram o ensino fundamental. Outros 19,3 milhões terminaram o fundamental, mas não completaram o ensino médio. Instituições como Fundação Roberto Marinho, Bradesco e Itaú elaboraram o estudo. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro apoiou a pesquisa.

Maioria abandonou a escola antes de concluir a educação básica

A maior parte do grupo interrompeu os estudos antes de terminar o ensino fundamental. São 44,7 milhões de pessoas nessa situação, o equivalente a 70% do total. O contingente de cidadãos sem formação completa caiu 16% desde 2012.

Metade dessa redução ocorreu pela morte de pessoas mais velhas que não tiveram acesso à escola no passado. A conclusão dos estudos por meio da EJA explica apenas 8% dessa queda.


Uma sala de aula da Educação de Jovens e Adultos (EJA) | Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Jacareí

Pessoas pretas e pardas representam 63,9% do grupo sem formação escolar completa. Elas também correspondem a 76,8% dos matriculados na EJA. No conjunto da população, esses dois segmentos somam 55,5%, segundo o Censo de 2022.

As regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de população com defasagem escolar.

Falta de educação básica afeta a renda e aumenta a pobreza

A baixa escolaridade afeta diretamente a renda e a ocupação profissional. A renda domiciliar por pessoa do grupo sem formação completa é de R$ 1.427. O valor equivale a apenas 51,4% da renda média de quem concluiu os estudos (R$ 2.777).

A taxa de pobreza é 1,8 vez maior entre os cidadãos com defasagem escolar. Entre os ocupados sem ensino fundamental completo, 38,4% estão em empregos formais. Entre os profissionais com ensino médio completo, o índice sobe para 65%.

Para a superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Silvana Oliveira, os números exigem mudanças no ensino. “Não basta abrir mais vagas, a escola precisa caber na vida do estudante”, afirma. Ela defende currículos flexíveis e horários compatíveis com a jornada de trabalho.

Conclusão da educação básica injetaria R$ 66 bilhões na economia

Uma simulação projetou a formatura de 32,5 milhões de pessoas. O número representa metade do público potencial da EJA. A mudança injetaria R$ 66 bilhões por ano na economia do país.

O aumento na remuneração de quem já trabalha geraria R$ 43 bilhões. A entrada de novos profissionais no mercado somaria os R$ 23 bilhões restantes. Entre homens de 15 a 29 anos sem formação, 53,9% apontaram o trabalho como motivo para deixar a escola.

Leia mais: "https://revistaoeste.com/brasil/tumulo-evaristo-de-moraes-pode-desaparecer-rj/”

Entre as mulheres da mesma faixa etária, 34,9% citaram as responsabilidades familiares e 22,9% mencionaram a gravidez. A executiva de Inovação da Fundação Bradesco, Bárbara Frasseto, afirma que a oferta atual é ineficaz. “Busca ativa e currículo conectado à vida adulta fazem a diferença. Precisamos de vínculo visível com trabalho e renda”, conclui.

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